A Personalidade do Espírito Santo
O texto que iniciaremos o nosso estudos de hoje está em João
14:26 “Mas aquele Consolador, o Espírito Santo, que o Pai enviará em,
meu nome, esse vos ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar de tudo quanto
vos tenho dito.”
A teologia cristã negligenciou muitas vezes o estudo da
informação bíblica a respeito da natureza e das atividades salvíficas do Espírito
Santo. Dentro desses contextos, concebia-se o Espírito somente em termos de
energia e poder divinos pertencentes principalmente à pessoa do Pai.
Compreendido assim, o Espírito Santo era visto como um ser
privado tanto de individualidade como de personalidade. Essa interpretação
parece encontrar apoio em algumas passagens bíblicas. Por exemplo, enquanto os
nomes do Pai e do Filho evocam realidades pessoais, o nome do Espírito não o
faz necessariamente. O gênero do termo grego para espírito (pneuma) é neutro, sugerindo
aparentemente uma realidade não pessoal.
Não bastasse isso, o fato de a Escritura se referir ao Espírito
Santo como assumindo a “forma corpórea” de uma “pomba” (Lc 3:22), e de compará-lo
com o vento (João 3:8), a água (João 7:37-39) e o fogo (At 2:3) também
possibilitou a ideia superficial e errônea de que o Espírito Santo não seria um
ser pessoal como o Pai e Filho.
Os homens e mulheres também podem ser responsáveis pela
concepção equivocada do Espírito Santo como “uma energia divina”, e não como
uma pessoa divina.
Essas passagens bíblicas, porém, não ensinam que o Espírito
Santo é um ser impessoal. Tudo que fazem é deixar aberta a possiblidade de se
ter essa concepção acerca do Espírito Santo. Para decidir se o Espírito Santo é
um ser pessoal ou não, é preciso reunir evidências explicitas adicionais.
Diversas são as maneiras pelas quais o NT revela a natureza
pessoal do Espírito Santo. Dentre elas estar qualidade de membro da Santíssima
Trindade constitui prova da personalidade do Espírito Santo essa foi à razão
quando Cristo mencionou “Eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro....”(João 14:16). Quando Ele mencionou “outro” no original grego é “allos”
que significa “um ser da mesma espécie”. Outra prova de que o Espírito
possui personalidade é o fato de ele manifestar atributos pessoais:
Inteligência e Conhecimento (João 14:26; 1 Cor 12:11); Emoções
(Ef 4:30); Julgamento (At 15:28). O NT apresenta ainda Espírito Santo adotando
atitudes que somente um ser pessoal pode adotar.
Ele fala (At 8:29); Ensina (Lc 12:12); Revela (Lc 2:26);
testemunha (At 20:13); envia (At 13:2) e Guia (At 8:29; 11:12), entre outros.
Vê-se que o Espírito de Deus possui Emoções, Julgamento, Fala,
Ensina, Revela, Testemunha, Envia e Guia, entre outros.
Vamos estudar a palavra “Consolador” que vem do grego. ‘paraklētos’, uma palavra usada no NT apenas por João
(aqui; João 14:16,26; 15:26;16:7; 1Jo 2:1). É composta pela preposição “para” que significa ‘lado de’, e pelo adjetivo ‘klētos’, que significa “chamado”, ou “alguém chamado”.
Portanto, o significado literal é “alguém chamado para o
lado de”. Contudo, no uso bíblico, a palavra parece refletir um sentido mais
ativo como o que se encontra no verbo correspondente parakaleō,
“exortar” ou “consolar”, e, portanto, se referiria a “alguém que exorta” (João
16:8).
Os pais latinos traduziram paraklētos
como advocatus, mas o sentido técnico de “advogado”
ou “defensor” se aplica apenas a umas poucas das raras ocorrências da palavra
na literatura pré-cristã e não cristã.
A palavra “advogado” não é inteiramente apropriada para
descrever a obra do Espírito Santo nem a de Cristo. O Pai e o Filho trabalham
na mais plena cooperação para a salvação do ser humano. (João 10:30)
A intenção de Satanás é apresentar o Pai como alguém severo,
duro e relutante em perdoar o pecador, disposto a perdoar apenas mediante a
intercessão do Filho.
É verdade que a encarnação, morte e ressurreição de Cristo
possibilitaram o perdão, mas tanto o Pai quanto o Filho e o Espírito amam o
pecador e trabalham em perfeita harmonia para sua salvação.
Não é necessário um advogado no sentido humano do termo para
induzir o Pai a ter misericórdia. Aquele que deseja aprender do amor e da
compaixão do Pai precisa apenas olhar para o Filho (João 1:18).
Chamar o Espírito Santo de “Consolador” é enfatizar apenas
um aspecto de Sua obra. Ele é também um “Exortador”. Na verdade, este último
significa uma característica saliente da obra do Espírito conforme delineada
por João.
Recapitulando a expressão grega “outro” empregada por Jesus
para Se referir ao Espírito Santo (João 14:16) sugere não só que o Espírito
Santo é um ser pessoal da mesma forma que o Pai e o Filho. Do mesmo modo, o
papel intercessório (Rm 8:26) que o Espírito Santo desempenha na salvação dos
crentes só pode ser desempenhado por um ser pessoal.
Por último, a ação do Espírito Santo de glorificar o filho
(João 16:14) não pode ser efetuada por um poder ou energia, mas somente por uma
pessoa.
Parece não restar dúvida de que os escritores do NT
consideram o Espírito Santo um ser divino e pessoal.
Arsenio
Bibliografia
Tratado de Teologia p. 151,152
O Espírito Santo p. 13
Comentário Bíblico Adventista v.5 p.1153
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