Lições do Santuário
Quando os filhos de Israel saíram do Egito, um grande grupo
de pessoas, principalmente egípcios, saiu com eles. A bíblia os chama de “mistura
de gente”, literalmente uma “multidão mista” (Êxodo 12:38; Numero 11:4). Uma
palavra ainda melhor seria “turba” usada em algumas versões.
Eles viviam
causando problemas e se rebelavam constantemente. Estavam dentre os que
exigiram carne como alimento, o que resultou na morte de milhares (Números
11:4-6,18-20,31-33). Embora testemunhassem diariamente o milagre divino do maná
que caía do céu, eram ingratos e profanos. Como tantos que vivem da caridade
alheia, suas exigências aumentavam constantemente.
Parece razoável assumir que essa multidão procurava
continuar seus cultos e festivais pagãos. No Egito havia as mais degradantes
formas de paganismo. Dentre elas, o culto ao demônio era provavelmente a pior (
Levítico 17:7).
Nesse culto, bodes eram sacrificados. Abusos assim começaram
a ser infiltrar entre os israelitas e uma reforma foi necessária.
Antes do estabelecimento do santuário, o pai da família era
também seu sacerdote e, como tal, oferecia sacrifícios por sua casa.
Quando o
tabernáculo foi construído, os sacerdotes assumiram as ofertas e uma grande
mudança ocorreu na vida de Israel.
Os pais entregaram aos Levitas algumas de suas antigas
prerrogativas, e isso pode ter provocado insatisfação.
O mais difícil foi atender à ordem de que todo sacrifício de
animais devia, ali em diante, ser feito no santuário e todas as festas comumente
celebradas em conexão aos sacrifícios deviam ser feitas também ali.
Essa mudança, em si mesma, não causaria dificuldade ao povo,
pois o santuário ocupava posição central no acampamento, com facilidade de
acesso para todos.
O arranjo, porém, acabaria automaticamente com as festas de
convívio da multidão mista e, pode-se supor, muitos israelitas participavam
entusiasticamente das mesmas. É possível inferir (Levítico 17:7), quão longe os
israelitas foram na participação desses cultos pagãos.
A extinção dos
sacrifícios e das festividades nas famílias também traria outros resultados
desejáveis. O texto parece sugerir que todo sacrifício de animais ocorreria sob
a imediata supervisão dos sacerdotes. Assim, até mesmo a matança de um animal
comum se tornava um ato semirreligioso.
A ordem assim compreendia enfatizava o fato de que Deus
deveria ter conhecimento e participação em todas as coisas e que Ele reivindica
uma parte de tudo o que possuímos, neste caso, o sangue e a gordura. Isso
ensinaria Israel a honrar a Deus com seus bens e dar aos sacerdotes a parte que
lhe pertencia.
Foi por essa razão a ordem de Deus em que ”... farão um
santuário, e habitarei no meio deles” (Êxodo 25:8), tem como objetivo especial
ensinar o povo a tratar os sacrifícios com maior respeito.
Esses princípios são tão válidos agora como no passado.
Deus também deseja que nos separemos da “mistura de gente”.
Há perigo tanto para jovens quantos para adultos em associar-se com o mundo. Os
resultados dessas alianças são, com frequência, fatais à fé.
Arsenio
Bibliografia
Comentário Bíblico Adventista p. 846
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